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3º Curso de Flebotomia: da teoria à prática

 

O Colégio da Biologia Humana e Saúde da Ordem dos Biólogos, em parceria com o Grupo Laboratorial – Unilabs, leva a efeito o 3º curso “Flebotomia: da Teoria à prática”, dirigido a todos os  profissionais que necessitam de adquirir ou desenvolver as suas competências nesta área.

Objectivos:

  • Dotar os participantes das competências iniciais ou de aperfeiçoamento, necessárias para a prestação do serviço de flebotomia em exercício profissional do laboratório clínico.
  • Actualizar os conhecimentos teóricos e de experiência técnico-científica em medidas de segurança para o paciente e o profissional, na prestação do serviço de flebotomia.
  • Actualizar os conhecimentos teóricos e de experiência técnico-científica na resolução de situações práticas menos comuns.

Inscrições abertas até 20 de Março

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INSCRIÇÕES  AQUI

Ciclo de Artigos sobre Apresentações do “5th EFLM-UEMS European Joint Congress in Laboratory Medicine” 2018

Número 3 – “The Rise And Fall Of Total Error Concept In Laboratory Medicine”

Fortemente sugestivo, o título deste painel de palestras demonstra o progressivo abandono do velho conceito do Erro Total no laboratório clínico, pela EFLM e UEMS.

O colega Anders Kallner, na sua palestra “Uncertainty Or Total Allowable Error: The Big Debate”, lembra-nos que todas as decisões e medidas estão sujeitas a incerteza. Por outro lado, explica que existem sempre duas componentes de erro: aleatório e não intencional (precisão) e sistemático, que se considera intencional se o não corrigirmos (exatidão). Para este, o debate nos últimos anos no laboratório clinico, centra-se em conseguir cálcular ambos os erros numa única expressão.

O Professor Elvar Theodorsson, na sua palestra sobre “From Measurement To Diagnosis: Uncertainty In Laboratory Medicine”, enfatiza que as estruturas e reações químicas são os principais fatores que influenciam a sensibilidade e a especificidade no doseamento das magnitudes biológicas, na química clínica. Para este autor, é o papel do laboratório a translação do valor quantitativo em resultado e informação útil. Também, realça que esta translação pode ser feita com recurso a: i) dados de calibração dos sistemas de doseamento; ii) dados da variabilidade biológica, com a variação diurna, etária e de género; iii) transporte, armazenamento e tipo de amostra biológica; iv) informação sobre os intervalos de referência; v) limites de decisão e dados populacionais necessários para a correta interpretação dos resultados do laboratório.

Ainda segundo este autor, a característica principal do sucesso das industrias de serviço e manufaturação, deve basear-se na satisfação das necessidades do utente e no estabelecimento de uma boa relação com o mesmo. No laboratório clinico, podemos centrarmo-nos no utente quando damos enfase ao desenvolvimento, inovação e interpretação dos resultados dos doseamentos no contexto clínico, mais do que apenas uma simples apreciação do que foi detetado. Esse desenvolvimento, deve ser efetuado preferencialmente pelo laboratório clinico, uma vez que os doseamentos apenas têm interesse quando os seus resultados contribuem substancialmente para medir a eficácia do tratamento ou no correto diagnóstico. Caso contrário, os resultados do laboratório não passam de “apenas números” …

EM PORTUGAL:

Com a publicação do documento de otimização dos programas de controlo interno dos laboratórios clínicos (link de acesso), a LabGen-ANBIOQ e o CBHS-OBIO criaram as condições para que em Portugal, seja possível efetuar o cálculo da incerteza de medição, podendo ser usada em conjunto com os dados da variabilidade biológica intraindividual, permitindo determinar a capacidade de deteção de alterações fisiopatológicas relevantes e personalizadas para cada paciente.

Em 2012, no Workshop Internacional de Bioquímica Clínica na Universidade de Coimbra, foi apresentada a primeira folha de cálculo mundial que correlaciona a qualidade clínico-laboratorial, na forma da capacidade de deteção de alterações fisiopatológicas relevantes, com a qualidade analítica nos seis sigmas.

Esta folha de cálculo, desenvolvida pela LabGen-ANBIOQ, utiliza os gráficos Normalizados de pontos operacionais e de erro sistemático, disponibilizados por Westgard, para comparar no seis sigma a capacidade de deteção de alterações fisiopatológicas relevantes com a qualidade analítica. E veio demonstrar como a qualidade clínica, por avaliar o impacto dos doseamentos laboratoriais diretamente na capacidade de detetar alterações fisiopatológicas relevantes em cada paciente, se sobrepõe à qualidade analítica no seis sigma e isso só é possível usando a métrica/conceito da Incerteza de Medição, que integra os erros aleatórios e sistemáticos (ou erros não intencionais e erros intencionais) numa única variável,  para calcular a capacidade de deteção de alterações fisiopatológicas relevantes.

Pode aceder aqui ao Manual de Utilizador  https://www.dropbox.com/l/scl/AABGW93ICKFoZq_z0-sM25BIc9_zFHj0Sn0, aqui acede ao Abstract https://www.dropbox.com/l/scl/AAA-s3-hfWuIF7uzTic5sSNDnU_-gYnF4LE  e aqui acede à folha de cálculo OCQI https://www.dropbox.com/l/scl/AABvMQ_mfN2fVZtUh5UnbjpvNh2DBKw2z2Q

Escrito por:

Jorge Pinheiro
Coordenador da LabGen-ANBIOQ
Membro da Direção do CBHS-OBIO
Bioquímico Clínico – LabGen-ANBIOQ
Especialista em Análises Clínicas – CBHS-OBIO

in- “Readings: Ciclo Artigos sobre as Apresentações do “5th EFLM-UEMS European Joint Congress in Laboratory Medicine 2018” – Numero 3 “The Rise And Fall Of Total Error Concept In Laboratory Medicine, Plataforma de Formação e Informação da ANBIOQ da Comissão de Laboratório Clínico e Genética Humana dos Bioquímicos Clínicos da Associação Nacional de Bioquímicos

 

Ciclo de Artigos sobre Apresentações do “5th EFLM-UEMS European Joint Congress in Laboratory Medicine” 2018

Este é o segundo artigo de um ciclo dedicado às principais apresentações do “5th EFLM-UEMS European Joint Congress in Laboratory Medicine 2018”, que decorreu em Antalaia entre 10 e 13 de outubro de 2018.

Em cada artigo, é disponibilizada informação adicional sobre onde obter as ferramentas inovadoras, já desenvolvidas e divulgadas pela LabGen-ANBIOQ e pelo Colégio de Biologia Humana e Saúde da Ordem dos Biólogos (CBHS-OBIO), habilitando os profissionais dos laboratórios portugueses a desenvolver em pormenor o estudo e/ou a técnica necessária de aquisição de competências abordadas neste Congresso.

Sobre a temática central “Medical Guidelines And Clinical Decision Making”, a colega Ana-Maria Simundic, na sua palestra “Demand Management (Test Utilization)“, refere o aumento dramático do painel e volume de testes disponibilizados pelo laboratório e que, por isso, o laboratório sofre uma forte pressão para disponibilizar “mais por menos”, ou seja mais testes de forma mais rápida e clinicamente útil, por menos consumo de despesas com pessoal, de reagentes e de tempo.

O uso inapropriado e o excesso de pedidos desnecessários de testes laboratoriais, tem como consequência o resultado inadequado, mas mais importante a não realização do teste adequado que leva a uma ação ou decisão clínica que sirva o paciente.

Para esta colega, as razões para o pedido desmesurado dos testes são muitas, tendo aqui elencado algumas: facilidade de pedido e disponibilidade dos testes, medicina defensiva (preocupações legais), devido a insegurança ou curiosidade, pressão do paciente ou de familiares, entre muitos outros motivos.

Uma das formas mais eficazes de limitar este pedido excessivo é através das recomendações de Guias de Prática Clínica (GPC). O colega Wytze P. Oosterhuis, na sua palestra “Laboratory and Clinical Cooperation in Enhancing Clinical Decision Making“, lembra que a função dos especialistas de laboratório, não se encontra confinada a gerar, resultados de testes. Para este colega, o laboratório clínico pode contribuir diretamente para a decisão clínica a vários níveis: desde o desenvolvimento de GPC a nível nacional, até aos protocolos a nível hospitalar e também dando apoio na interpretação dos resultados laboratoriais.

Dando o exemplo Holandês, do desenvolvimento e implementação de GPC, que custam cerca de 100.000€/cada, este colega refere a necessidade de se criarem GPC com formatos modulares (Módulos que se integram em várias GPC) e que podem ser desenvolvidos sob a coordenação dos especialistas de laboratório, pois está comprovado que a maioria destas guias não cobrem os principais aspetos laboratoriais necessários à correta decisão clínica.

Mais ainda, este palestrante é da opinião de que a aplicação de GPC e de recomendações laboratoriais podem também ser otimizadas com a definição de perfis de pedidos e de comentários interpretativos adicionais dos especialistas de laboratório resultantes da sua aplicação.

Por fim, o colega Michel Langlois, na sua apresentação sob o título “Medical Guidelines May Not Always Be Compatible With Laboratory Practice“, informa que as GPC que usam cut-offs de decisão clínica laboratorial, podem não ser de aplicação geral, devido à falta de estandardização dos métodos e às variações dos resultados entre os laboratórios. Muitas vezes as GPC não se encontram validadas pelo laboratório quanto à performance analítica ou clínica e não foi avaliado o custo-benefício ao nível clínico-laboratorial.

Fonte: “5th EFLM-UEMS European Joint Congress in Laboratory Medicine Laboratory Medicine at the Clinical Interface Antalya, Turkey, October 10-13, 2018 – Abstracts” Clin. Chem. Lab. Med. 2018; 56(11): eA203–eA359.

EM PORTUGAL:

Em Portugal, a LabGen-ANBIOQ e o CBHS-OBIO, disponibilizam um conjunto de procedimentos para o laboratório clínico efetuar a avaliação e adaptação das NOCs ou das GPC à sua realidade de qualidade analítica e clínico-laboratorial. No link http://ordembiologos.pt/wp-content/uploads/2015/11/Procedimento-v3-Maio2018-Revisao-Final-22052018_.pdf, encontra o documento conjunto com exemplos concretos de avaliação e adaptação das NOCs. Por exemplo, no Apêndice 1 este documento explica como adaptar o Colesterol Total de cada laboratório e as respetivas NOC 066/2011 “Prescrição de Exames Laboratoriais para Avaliação de Dislipidemias” e NOC 005/2013 “Avaliação do Risco Cardiovascular SCORE”, à realidade da qualidade analítica e clínico-laboratorial do colesterol para cada laboratório.

No Apêndice 2, podemos encontrar como adaptar a qualidade analítica da HBA1C dos laboratórios clínicos à NOC 033/2011 “Prescrição e Determinação da Hemoglobina Glicada A1c”.

Finalmente, neste documento técnico, no Apêndice 3 é dado o “EXEMPLO DE IMPLEMENTAÇÃO DE COMENTÁRIO QUALITATIVO AUTOMATIZADO PARA DOSEAMENTOS DA HbA1c NA MONITORIZAÇÃO PERSONALIZADA DO UTENTE ADAPTADO À NOC 052/2011 “Abordagem Terapêutica Farmacológica na Diabetes Mellitus Tipo 2 no Adulto”

Escrito por:

Jorge Pinheiro
Coordenador da LabGen-ANBIOQ

Membro da Direção do CBHS-OBIO
Bioquímico Clínico – LabGen-ANBIOQ
Especialista em Análises Clínicas – CBHS-OBIO

in- “Readings: Ciclo Artigos sobre as Apresentações do “5th EFLM-UEMS European Joint Congress in Laboratory Medicine 2018” – Numero 2 “Medical Guidelines And Clinical Decision Making”, Plataforma de Formação e Informação da ANBIOQ (https://formacao.anbioq.pt/)  Comissão de Laboratório Clínico e Genética Humana dos Bioquímicos Clínicos da Associação Nacional de Bioquímicos.

Ciclo de Artigos Apresentações do “5th EFLM-UEMS European Joint Congress in Laboratory Medicine” 2018

  1. Laboratory Medicine – Challenges And Opportunities

Na sessão de abertura deste Congresso, o colega Michael Oellerich enfatiza que o laboratório clínico deve ter um papel mais ativo na participação como membro integral, de pleno direito que adiciona valor, nas equipas de saúde.

Por outro lado, com a implementação da inovação científica aplicada ao diagnóstico, desenvolvendo estratégias que adicionem mais-valia e uma melhoria no diagnóstico, ao mesmo tempo que deve liderar na forma como os testes devem ser usados gerando a Proposição de Valor. Ainda segundo este colega, o Laboratório Médico pode ser o motor da cooperação multidisciplinar que melhor promove a medicina personalizada.

Para este colega, desta forma, o laboratório clínico beneficia os pacientes e os sistemas de saúde nacionais, ao mudar o foco da “medicina reativa” para a “medicina preventiva”, promovendo a terapia dirigida (personalizada), reduzindo o “erro/tentativa” da prescrição, reduzindo as reações adversas e aumentando a eficácia na Saúde.

Fonte: “5th EFLM-UEMS European Joint Congress in Laboratory Medicine Laboratory Medicine at the Clinical Interface Antalya, Turkey, October 10-13, 2018 – Abstracts” Clin Chem Lab Med 2018; 56(11): eA203–eA359.

Os bioquímicos clínicos da Associação Nacional de Bioquímicos (LabGen-ANBIOQ), em conjunto com os Especialistas em Análises Clínicas da Ordem dos Biólogos (CBSH-OBIO), desenvolveram um conjunto de metodologias inovadoras, que desde 2011 estão a direcionar o laboratório clínico para os pacientes. Por exemplo, o laboratório clínico português consegue agora, com este conjunto de metodologias, efetuar a avaliação do impacto direto e personalizado dos doseamentos clássicos laboratoriais em cada paciente.

Através da publicação do documento de otimização dos programas de controlo interno dos laboratórios clínicos (link de acesso), a LabGen-ANBIOQ e o CBHS-OBIO criaram as condições para que em Portugal possamos calcular a incerteza de medição e como a podemos usar em conjunto com os dados de variabilidade biológica intraindividual para determinar qual a capacidade de deteção de alterações fisiopatológicas relevantes e personalizados a cada paciente.

Para além disso, este documento introduziu em Portugal as aplicações da variabilidade biológica, por exemplo, como saber qual o tipo de amostra biológica mais adequado para o menor risco de decisão clínica, quando dependente de uma magnitude biológica, na monitorização personalizada do paciente.

Escrito por:
Jorge Pinheiro
Coordenador da LabGen-ANBIOQ
Membro da Direção do CBHS-OBIO
Bioquimico Clínico – LabGen-ANBIOQ
Especialista em Análises Clínicas – CBHS-OBIO”

in- “Readings: Ciclo Artigos sobre as Apresentações do “5th EFLM-UEMS European Joint Congress in Laboratory Medicine 2018” – Numero 1 “Laboratory Medicine – Challenges And Opportunities” , Plataforma de Formaçao e Informação da ANBIOQ (https://formacao.anbioq.pt/) Comissão de Laboratorio Clínico e Genética Humana dos Bioquímicos Clínicos da Associação Nacional de Bioquímicos.


 

Ciclo de Artigos: Apresentações do “5th EFLM-UEMS European Joint Congress in Laboratory Medicine” 2018

Inicia-se agora um ciclo de artigos baseados nas principais apresentações do Congresso “5th EFLM-UEMS European Joint Congress in Laboratory Medicine” que decorreu em Antalaia entre 10 e 13 de outubro de 2018.

Esta iniciativa conta com o apoio do Colégio de Biologia Humana e Saúde da Ordem dos Biólogos (CBHS-OBIO) que, em conjunto com a Comissão de Bioquímicos Clínicos da Associação Nacional de Bioquímicos (LabGen-ANBIOQ), pretendem divulgar as principais linhas orientadoras de pensamento e definição para o laboratório clínico a nível internacional, que foram dadas a conhecer neste Congresso.

A divulgação desta informação pretende atribuir poder de decisão ao profissional de laboratório português, que necessite definir as expetativas, os próximos passos de desenvolvimento e o enquadramento para exercer ou para se preparar para a sua atividade, perante os desafios e oportunidades que surgem agora no curto e médio prazo.

Sempre que possível, será dada informação adicional sobre onde obter as ferramentas inovadoras já desenvolvidas pela LabGen-ANBIOQ em conjunto com o CBHS-OBIO, para que os profissionais de laboratório possam desenvolver em pormenor o estudo ou a técnica necessária para obter algumas das competências necessárias, segundo o que é referido em cada apresentação deste ciclo de artigos.

Adaptado de:

in- “Readings: Ciclo Artigos sobre as Apresentações do “5th EFLM-UEMS European Joint Congress in Laboratory Medicine 2018” – Numero 1 “Laboratory Medicine – Challenges And Opportunities” , Plataforma de Formação e Informação da ANBIOQ (https://formacao.anbioq.pt/) Comissão de Laboratorio Clínico e Genética Humana dos Bioquímicos Clínicos da Associação